Contagem regressiva Endzone Brasil – Victor Cruz

A trajetória de Victor Cruz na NFL é o clássico exemplo de como a vida pode mudar completamente em um curto espaço de tempo: em apenas alguns meses, ele passou de completo desconhecido para peça fundamental na conquista de um improvável Super Bowl. Sem um grande diferencial e números medianos, Cruz foi ignorado por todos os times no Draft 2010. Mais uma prova que o sistema de avaliação dos atletas universitários é longe de ser perfeito. 

 

A velocidade do camisa 80 aumenta drasticamente no momento que executa as rotas, sempre levando uma pequena vantagem em relação aos defensores. Junte isso a firmeza na na hora de receber o passe, além uma inteligência fora do comum depois da recepção, para entender o motivo de Cruz ser hoje o principal wide receiver dos Giants e um dos melhores na NFL atual.

 

O camisa 80 sequer foi draftado (Site oficial/Giants)

 

Qualidades que não foram notadas nem em sua carreira universitária logo de cara, Victor ficou no banco nas duas primeiras temporadas como WR em Massachusetts. Titular em 2007, ele foi o destaque de UMass, passou das mil jardas e recebeu cinco TDs. Já conhecido em seu último ano, era quase sempre marcado com cobertura dupla, o que fez seus números diminuírem. Em abril do ano seguinte, seu nome não foi sequer lembrado no Draft.

 

Decepcionado, ele se surpreendeu quando recebeu a ligação do New York Giants para agendar um teste. Pura ironia do destino: Cruz cresceu em Paterson, lugar muito próximo do antigo Giants Stadium, mas quando criança torcia para o rival Dallas Cowboys. Parte do training camp daquele ano, Cruz garantiu sua vaga no elenco final após receber três touchdowns já no primeiro jogo de pré-temporada contra o rival local Jets.

 

Apesar do início promissor, o camisa 80 não recebeu nenhum passe no ano de calouro: participou de poucos snaps nas três primeiras partidas, até que uma lesão na coxa o tirou do restante da temporada. Mesmo assim não foi cortado, ele conta em seu livro “Out of the Blue” a surpresa ao receber uma ligação de Eli Manning para participar de um treinamento não oficial, visto que os atletas da NFL estavam em lockout. Esses encontros foram fundamentais para o entrosamento do jovem wide receiver com o já consagrado quarterback.

 

Cruz campeão do Super Bowl XLVI (Site oficial/Giants)

 

A sintonia com o QB apareceu na medida em que Cruz teve sua oportunidade de ouro como titular: Steve Smith fez as malas para o Philadelphia Eagles, Domenik Hixon e Mario Manningham se contundiram. De quinta para segunda opção no terceiro jogo do ano, ele aproveitou muito bem os espaços gerados pela marcação dupla em Hakeem Nicks. Passou das 100 jardas e recebeu dois TDs contra os Eagles. Foi a partida em que surgiu a famosa comemoração “salsa dance”. Cruz prometeu homenagear sua avó de origem hispânica, que o ensinou a dança, caso marcasse um touchdown. Ele cumpriu a promessa, criando assim sua marca registrada.

 

 Era  o início de uma temporada espetacular. Mesmo com alguns erros normais de jogadores jovens, o camisa 80 foi melhorando jogo após jogo, fundamental na improvável classificação dos Giants aos playoffs. Saudável e no auge da forma na pós-temporada, os Blues dominaram defensivamente, não deram chance aos adversários com um pass-rush avassalador, venceram o quarto anel da franquia. Cruz não foi espetacular na pós-temporada, mas se não fosse por ele, New York nem estaria nos playoffs. Ele fechou a temporada regular de 2011 com 1536 jardas recebidas, recorde do time em um único ano, e nove touchdowns.

 

Em poucos meses, Cruz marcou seu nome em definitivo na história da NFL. Já conhecido e temido, ele não teve a mesma liberdade no ano seguinte, mesmo assim voltou a passar das mil jardas (1092) em 2012. Desempenho que não foi melhor também pelo “apagão” sofrido por Eli Manning na segunda metade da temporada, simplesmente irreconhecível. Os Blues perderam cinco dos últimos oito jogos, viram a zebra Washington Redskins vencer a NFC East. Os atuais campeões sequer chegaram aos playoffs.

 

A má fase de Eli seguiu em 2013, fato que refletiu diretamente nos números de Cruz e dos Giants no geral: o QB teve o pior desempenho em jardas dos últimos cinco anos, foi o recordista da NFL em interceptações (27). Mesmo de contrato renovado (6 anos e 45 milhões de dólares), foi o pior ano do camisa 80 desde que virou titular: 998 jardas e 4 TDs em 14 partidas.

 

Um dos únicos playmakers desse ataque, Cruz deve ter um papel de protagonista no esquema “west coast” (passes curtos e rápidos) do novo coordenador ofensivo, Ben McAdoo. A chegada da jovem promessa Odell Beckham Jr. e a afirmação de Reuben Randle como parceiros de  ataque podem tirar a cobertura dupla de Cruz em alguns momentos. Resta saber se Eli Manning será o jogador decisivo nos títulos em 2007 e 2011 ou o desastre dos últimos dois anos.

    Matheus Filippi

    Jornalista de Jundiaí e apaixonado pela NFL, Matheus Filippi é fundador e editor-chefe do Última Jarda

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