Contagem regressiva Endzone Brasil – Colin Kaepernick

Poucos jogadores tem a capacidade de desmontar uma defesa como Colin Rand Kapernick. Com uma habilidade fora do comum em ler os esquemas adversários, ele é o perfeito exemplo do termo “dual-threat” quarterback, ou seja, faz estragos tanto no jogo aéreo como no terrestre. Único, essa é a palavra que melhor o define, dentro e fora dos gramados. Sua história cheia de reviravoltas e superação é uma inspiração a todos.

Abandonado quando recém-nascido pela mãe, Colin foi adotado quando tinha seis semanas de vida. Quando criança, ele sofria com gozações na escola, pelo fato de não ser nada parecido com seus pais adotivos. Muito atlético desde pequeno, mostrava raro talento em todos os esportes que praticava no colegial, em especial o Beisebol. Recebeu muitas ofertas de universidades para seguir no esporte, mas rejeitou todas para seguir seu sonho de garoto, jogar na NFL.

Apesar de sua paixão pelo futebol americano, não recebeu nenhuma proposta de bolsa universitária, muito pela falta de precisão nos lançamentos. Decidido, ele passou por vários testes feitos pelas universidades, até que Nevada resolveu a dar uma chance a ele. Devido a velocidade fora do comum, o plano inicial era utilizá-lo como safety. Aos poucos, Colin foi mostrando sua capacidade. Depois de passar o primeiro ano na reserva adquirindo massa muscular, ele foi nomeado quarterback reserva da equipe no início de 2007.

Kaepernick em Nevada (Site oficial/Universidade de Nevada)

A chance como titular veio no quinto jogo daquele ano, quando Nick Graziano saiu de campo contundido no primeiro tempo. Kaep entrou no seu lugar, computou 384 jardas e quatro touchdowns. Era o início de uma vitoriosa carreira universitária. Ele conquistou a posição de 1º QB do time e não largou mais, liderou o ataque dos Wolfpacks pelas próximas três temporadas de forma brilhante. Foi o único jogador da história do futebol americano universitário a passar das 2 mil jardas aéreas e mil terrestres em três temporadas consecutivas.

Entretanto, questionamentos sobre a precisão nos lançamentos ainda seguiam Kaepernick, principal fator de ele ter sido rejeitado por todos os times na primeira rodada do Draft de 2011. Quatro QBs foram selecionados antes dele: Cam Newton (1º), Jake Locker (8º), Blaine Gabbert (10º) e Christian Ponder (12º). Disponível no início da segunda rodada, San Francisco 49ers trocou três escolhas (45º, 108º e 141º) pela 36º do Denver Broncos, para poder contar com o jogador em seu elenco.

O começo foi desastroso, completou menos da metade dos passes, lançou cinco interceptações e nenhum TD na pré-temporada. Como atleta excepcional que é, ele foi utilizado somente em formações alternativas no ano de calouro, visto que o titular Alex Smith estava na melhor fase de sua carreira até então. Kaep participou e oito snaps e não foi nada efetivo: duas corridas para  menos duas jardas; completou três de cinco passes para 35 jardas. Mesmo sem Colin em campo, o técnico recém-chegado Jim Harbaugh devolveu os Niners aos playoffs depois de nove anos de jejum, o time ficou a uma partida do Super Bowl.

Após anos de fracasso, San Francisco voltava a ser temido pelos adversários. Tudo caminhava bem na temporada seguinte, até chegar a semana 10. O titular Alex Smith, que liderava o time em uma campanha 6-2, sofreu uma concussão contra o St Louis Rams. Apesar do empate, Kaepernick entrou bem no lugar de Smith, tanto que ganhou nova chance como titular na semana seguinte. 

Assim como aconteceu em Nevada, Kaepernick entrou no time para não sair mais. Mesmo com Smith já saudável, Harbaugh resolveu bancar Colin no time titular, fato que lhe rendeu severas críticas da mídia e dos torcedores, visto que Alex fazia uma temporada consistente. O camisa 7 aos poucos foi mostrando no campo o que o treinador via nos treinos. Em sete partidas, ele lançou 1814 jardas, 10 touchdowns e três interceptações, além de correr 415 jardas e mais cinco TDs pelo chão. A campanha de 11-4-1 deu aos Niners o título da NFC West e uma vaga nos playoffs.

Kaepernick comemorando título da NFC (Site oficial/Niners)

Foi na pós-temporada que Kaep realmente brilhou, ele destruiu o Green Bay Packers no Divisional Round: lançou 2 touchdowns, correu para mais dois, terminou a partida com um recorde de jardas terrestres para um QB em playoffs (185). Ao lado de Frank Gore, ele liderou uma incrível virada contra os Falcons fora de casa na final da NFC. A consagração quase veio no Super Bowl XLVII. Apesar de estar perdendo por 22 pontos no terceiro período, Kaepernick por muito pouco não conseguiu uma das maiores viradas da história da grande final.

Com a troca de Alex Smith com o Kansas City Chiefs, o camisa 7 se tornou titular absoluto para a temporada 2013. Mesmo sem o elemento surpresa em seu favor, ele liderou os Niners aos playoffs pelo terceiro ano seguido. Após duas boas vitórias contra Packers e Panthers, Kaepernick e companhia caíram para o rival Seattle Seahawks, time que viria a ganhar a grande final duas semanas depois. 

O bom desempenho rendeu a Kaepernick uma ótima extensão de contrato por mais seis temporadas com os 49ers: 126 milhões de dólares, 60 garantidos. Muitos questionaram os valores do acordo, alegando que o camisa 7 não vale tudo isso. Resta a Kaepernick mostrar em 2014 que é um quarterback de elite, quem sabe com um anel de campeão do Super Bowl. Mostrar, mais uma vez, que vale a pena apostar em seu talento.

    Matheus Filippi

    Jornalista de Jundiaí e apaixonado pela NFL, Matheus Filippi é fundador e editor-chefe do Última Jarda

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