Contagem regressiva Endzone Brasil – Antonio Gates

Aos 33 anos, Antonio Gates definitivamente já deixou sua marca na história NFL: 12º que mais anotou touchdowns, 40º em jardas recebidas  e 50º em recepções. Estamos falando de rankings gerais, não somente de tight ends. Se os números são excepcionais por si só, imagine se tratar de um atleta que não foi escolhido no Draft, e mais, sequer jogou futebol americano na universidade.

Isso porque o primeiro esporte no coração do jovem Gates era o basquete. Ele passou a adolescência nas quadras, sonhando em jogar por alguma grande universidade. O principal obstáculo do então ala/pivô era a disciplina na escola, a notas baixas eram uma barreira para a grande maioria das universidades. Gates foi selecionado por Eastern Michigan, mas os problemas acadêmicos o tornaram inelegível para jogar pelo time da universidade.

Antonio conseguiu sua transferência para Kent State no ano seguinte, muito pelo apoio de seu ex-treinador Stan Heath, que comandava o time de basquete da instituição na época. Steath disciplinou o jovem, que foi o principal jogador da universidade nos dois anos seguintes. Mesmo ficando fora da “Final Four” da NCAA em 2002, os ótimos números de Gates colocaram o atleta no radar dos times da NBA.

Entretanto, a baixa estatura (para o basquete) não despertou o interesse de nenhum time da liga americana de basquete. Sem ter jogado um snap sequer nos últimos cinco anos, Gates resolveu tentar uma vaga em algum time da NFL. Seu tamanho e agilidade impressionaram o San Diego Chargers, o time deu uma chance para o então camisa 85 no training camp do ano de 2003. 

Gates em ação por San Diego (Site ofical/Chargers)

Em alguns meses, Gates passou de terceira opção para titular na posição de tight end, sua vivência no basquete o tornava uma ameaça única no jogo aéreo. Melhor a cada partida, ele entrou na temporada seguinte como principal arma no jogo aéreo, aproveitando os buracos deixados pelas defesas, preocupadas em parar o monstro RB LaDanian Tomlinson. Principal arma de Drew Brees, ele computou 2065 jardas e 26 touchdowns nos anos de 2004 e 2005.

Apesar dos bons números, os Chargers não venceram um jogo de playoffs no período. Isso mudou no ano de 2007, como o jovem Philip Rivers já no posto de titular da equipe. Principal alvo do jovem QB, Gates liderou o Chargers até a final da conferência, mas uma derrota por 21 a 12 para os Patriots no Gillette Stadium acabou com a chance de disputar o primeiro Super Bowl da carreira.

Sonho que ainda move o camisa 85, foi a temporada que ele chegou mais próximo de participar da grande final. San Diego voltou a pós-temporada em 2008 e 2009, mas em ambas as oportunidades caiu no Divisional Round. Alvo letal principalmente em terceiras descidas, Antonio Gates seguia com números impressionantes ano após ano.

As próximas três temporadas foram difíceis para o torcedor dos Chargers, que viu seu time comandado pelo desgastado Norv Turner ficar fora dos playoffs. Mesmo com um time irregular, Gates recebeu 2098 jardas de anotou 24 TDs no período de 2010 a 2012.

O time ressurgiu na última temporada sob o comando do jovem Mike McCoy, venceu os últimos quatro compromissos e garantiu uma improvável vaga nos playoffs. Na pós-temporada, venceu o Cincinnati Bengals fora de casa e deu muito trabalho para o Denver Broncos de Peyton Manning. Apesar da derrota por 24 a 17, chegar no Divisional foi algo surpreendente. Gates foi o segundo alvo mais acionado do ataque, perdendo apenas para o calouro Keenan Allen, uma das gratas surpresas da NFL em 2013.

Com lugar mais do que reservado no Hall da Fama, Antonio Gates terá mais alguns anos em alto nível para aumentar ainda mais seus ótimos números na NFL. Ele já é o jogador que mais recebeu touchdowns da história do San Diego Chargers, está a 391 jardas de passar Lance Alworth como jogador com mais jardas recebidas na história da franquia. E quem sabe coroar a gloriosa carreira com um anel de Campeão de Super Bowl.

    Matheus Filippi

    Jornalista de Jundiaí e apaixonado pela NFL, Matheus Filippi é fundador e editor-chefe do Última Jarda

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