Encontro dos melhores no Super Bowl é um fato raro

A “Cortina de Ferro” dos Steelers (Divulgação)

O Super Bowl 48, entre o Denver Broncos e o Seattle Seahawks, será a primeira desde 1990 em que o melhor ataque e a melhor defesa da temporada regular se encontraram no jogo decisivo. Na era ‘Super Bowl’, que começou em 1967, o duelo aconteceu apenas quatro vezes. Dos encontros anteriores, em três deles foram as defesas que prevaleceram sobre os ataques. Quem será o grande vencedor desta temporada? O ataque dinâmico dos Broncos ou a defesa estarrecedora dos Seahawks?

A primeira temporada em que o duelo entre os melhores aconteceu foi a de 1978, no Super Bowl XIII, em que os Steelers venceram os Cowboys por 35 a 31. Nesta temporada a NFL sofreu grandes mudanças na regra do jogo. A penalidade de ‘pass interference’ foi criada nesse ano, proibindo os jogadores de defesa de encostarem nos de ataque, depois das cinco jardas a partir da linha de scrimmage. A temporada também passou a ter 16 jogos, ao invés de 14.

A franquia de Pittsburgh tinha a melhor defesa na época, conhecida como ‘Steel Curtain’. A era da Cortina de Aço criou uma dinastia, em que os Steelers venceram quatro Super Bowls na década de 1970. Liderados pelo DT “Mean Joe” Greene (membro do Hall da Fama) e pelo DE L. C. Greenwood, os Steelers sofreram apenas 195 pontos (média de 12,2 por partida) e não cederam nenhum touchdown em primeiros quartos na temporada regular.

O time de Dallas da época, derrotado na final de 1978, é considerado por alguns jornalistas como o melhor ataque de todos os tempos. Os que lideravam o poderio ofensivo eram o QB Roger Staubach e o RB Tony Dorsett, fazendo dos Cowboys o ataque que mais pontuou naquele ano (24 pontos por jogo) e que mais produziu jardas terrestres (2,783 jardas).

O SB19 reuniu Marino e Montana (SI)

Super Bowl XIX, da temporada de 1984, também foi entre o melhor ataque e a melhor defesa da NFL. A partida entre os 49ers e os Dolphins terminou com vitória da melhor defesa, a de San Francisco, por 38 a 16. A grande final foi disputada por dois dos maioress quarterbacks de todos os tempos: Joe Montana e Dan Marino.

Com um QB apenas em sua segunda temporada, a franquia de Miami conseguiu uma marca de 32,1 pontos por partida. Era um dos melhores ataques aéreos de todos os tempos, com Dan Marino lançando para 48 TD’s e apenas 17 INT’s, e recebedores como Mark Clayton e Mark Duper, que terminaram a temporada combinando 26 touchdowns.

No entanto, a melhor defesa da liga também era um dos melhores ataques na época. Principalmente pelo peso de ter um Joe Montana no comando ofensivo. Mas o que chamou atenção mesmo foi a defesa, que cedeu apenas 14,2 pontos por partida na temporada. Um dos destaques de San Francisco era o DB Ronnie Lott, que em 2000 foi introduzido ao Hall da Fama da NFL.

Em 1989, outro Super Bowl entre a melhor defesa e o melhor ataque da liga. Desta vez, o ataque dos 49ers prevaleceu sobre a defesa dos Broncos e conquistou o Super Bowl XXIV pelo massacrante placar de 55 a 10 (a maior diferença de pontos na história do Super Bowl). Foi mais um duelo entre grandes QB’s. De um lado Joe Montana e do outro John Elway.

A defesa dos Broncos foi para a grande final cedendo apenas 14,1 pontos por partida. Porém, contra os 49ers, cedeu dois touchdowns por período. Durante a temporada regular tudo deu certo. No entanto, quando a defesa realmente precisava aparecer, ela sumiu. A verdade é que, naquela época, a defesa de Denver pode ter tido números melhores, mas o ataque comandado por Elway era o que mais chamava atenção.

Pra falar do ataque campeão de 1989, não são necessárias muitas palavras, além de Joe Montana e Jerry Rice. Um dos melhores QB’s de todos os tempos, junto com aquele que, para muitos, é o melhor jogador da história da NFL, fizeram o Super Bowl parecer brincadeira de criança. O ataque terminou a temporada regular anotando 27,6 pontos por partida. Na final, Montana e Rice combinaram para duas vezes mais que o número de jardas totais de Denver na partida. O ataque era tão bom, que nem a melhor defesa da época conseguiu parar. Foi a única vez que o melhor ataque prevaleceu sobre a melhor defesa numa partida final.

Bill Parcells e Lawrence Taylor – dupla de sucesso
nos Giants no Super Bowl 25 (AP)

No último encontro entre melhor defesa e melhor ataque, a defesa dos Giants prevaleceu sobre o ataque dos Bills, no Super Bowl XXV, e venceu por 20 a 19. Foi um duelo em que a defesa do time vencedor realmente carregou a equipe. Diferente das forças ofensivas dos Steelers, em 1978, e dos 49ers, em 1984, o ataque dos Giants não era lá grandes coisa.

Chegando à final com uma média de 26,8 pontos por partida, a franquia de Buffalo era uma grande ameaça na época. Na verdade, os Bills do início da década de 1990 tiveram o ataque mais dominante da liga. Chegaram quatro vezes seguidas ao Super Bowl (1990-91-92-93), mas perderam em todas as oportunidades. Foi o time que aprimorou o No Huddle “K-Gun offense”, implementado pelos Bengals, e também é o time que detém o recorde da maior virada da história da NFL. A partida contra os Titans, em 1992, é conhecida como “The Comeback”. Os Bills viraram o jogo, depois de estarem perdendo por 35 a 3.

A força ofensiva do Buffalo Bills do início da década de 1990 merece muitas menções honrosas. Do ataque fulminante de 1990, dois jogadores estão no Hall da Fama: o QB Jim Kelly, que entrou em 2002, e o RB Thurman Thomas, que foi introduzido em 2007.

O New York Giants terminou a temporada de 1990 cedendo apenas 13,2 pontos por partida. Era um ataque muito limitado, apenas o 15º da NFL, mas quem chamava a responsabilidade era a trupe defensiva. Dentre os tantos destaques, Lawrence Taylor sobressai. Já no fim de sua carreira, o linebacker teve também boa temporada em 1990, liderando o time com 10,5 sacks. Ele foi introduzido ao Hall da Fama em 1999.

Vinte e quatro anos depois temos outra final entre a melhor defesa e o melhor ataque da NFL. Os Seahawks têm a melhor defesa em pontos cedidos (apenas 14,4 por jogo) e a melhor secundária da liga, com o líder de interceptações, Richard Sherman, e o excelente FS Earl Thomas. Os Broncos têm o melhor ataque, anotando 37,9 pontos por partida, com o QB Peyton Manning em temporada de MVP.

O Super Bowl 48 será único, mas pode-se dizer que terá muito em comum com os citados acima. Veremos os Broncos, uma das maiores forças ofensivas da NFL, como os 49ers de 1989, com um jogo de No Huddle bem definido, como os Bills em 1990. Também veremos o QB Russell Wilson em apenas seu segundo ano, já chegando num Super Bowl, como Dan Marino (guardada devidas proporções) com os Dolphins em 1984, e talvez a defesa dos Seahawks inicie uma dinastia, como a dos Steelers e o “Steel Curtain” em 1978. A certeza que temos é que este Super Bowl será um dos melhor nos últimos anos.


Nordestino de São Luis-MA, mineiro de Mariana de coração
e graduado em comunicação, Marcelo Camelo é um
alucinado em esportes americanos

 

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    2 thoughts on “Encontro dos melhores no Super Bowl é um fato raro

    • 31 janeiro, 2014 em 22:02
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      Será o “super ataque” contra a “super defesa”! Mas podemos pensar o quão decisivo será a turma do “lado B”: defesa dos Broncos e ataque dos Hawks. Mas é um jogo só (e O JOGO), então não é tão louco pensarmos que podemos ver uma atuação individual de gala que derrube toda essa igualdade. Aliás, essa pode ser a única forma de não termos um jogo”pau-a-pau” até o fim.

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