Como Pete Carroll montou a melhor defesa do novo milênio

Em uma NFL a cada ano mais voltada para o ataque, o técnico Pete Carroll chega ao Super Bowl XLVIII na contramão das tendências atuais, priorizando o desempenho de sua defesa. Dos últimos 12 times que chegaram ao Super Bowl, o Seattle Seahawks comandado por ele é um dos quatro que alcançaram a grande final como uma das cinco melhores defesas da temporada regular.

O grupo comandado por Carroll não somente liderou a maioria das estatísticas em 2013, como também foi o melhor do novo milênio. A conquista do troféu de campeão no gelado MetLife Stadium pode colocar os Seahawks de 2013 na galeria de grandes esquadrões defensivos de todos os tempos, como os Steelers de 76, os Bears de 85 ou os Ravens de 2000. Como explicar o segredo de tanta eficiência em uma era de marcada pelo poderio ofensivo? 

 Drafts focados na defesa
Earl Thomas foi a 14° escolha do Draft de 2010 (Reprodução)
Para entender, é necessário olhar o ótimo trabalho realizado por Carroll  e sua comissão técnica nos últimos drafts. Não é à toa que nenhum jogador do elenco dos Seahawks nunca disputou o Super Bowl, o jovem elenco foi quase todo formado últimos quatro anos. Apenas quatro jogadores seguem no grupo depois da chegada de Carroll a Seattle, em 2010. 
Um grupo jovem não é necessariamente garantia de sucesso, eis o diferencial do trabalho do técnico nas escolhas dos drafts: depois de identificar e draftar jogadores talentosos, Carroll os desenvolve como poucos. Ao invés de moldar o jogador ao esquema de jogo, como a maioria dos times faz, ele funde os pontos fortes dos atletas com o sistema defensivo.
 Ao longo dos quatro anos, Carroll utilizou a maioria das escolhas no draft com jogadores de defesa, construindo um grupo de qualidade, não somente um time titular consistente. Por exemplo, ele draftou Earl Thomas, Kam Chancellor e Walter Thurmond em 2010; K.J. Wright, Richard Sherman e Byron Maxwell em 2011; Bruce Irvin e Bobby Wagner em 2012. Todos são titulares e peças importantíssimas da atual defesa. Após três anos montando um jovem e promissor grupo, em 2013 Seattle abriu os cofres e trouxe dois ótimos DEs free agents para dar um toque de experiência ao grupo. Cliff Avril e Michael Bennett caíram como uma luva no elenco atual.  

Esquema muito eficiente

Carroll usa as peças que possui com muita eficiência, principalmente Earl Thomas. O free safety é o principal jogador em campo taticamente falando, sua velocidade e atleticismo são cruciais para o sucesso do esquema. Ele geralmente fica sozinho cobrindo todo o meio da secundária, permitindo ao strong safety Kam Chancellor alinhar próximo aos linebackers. Com um homem a mais naquela região do campo, Carroll consegue com sucesso parar o jogo corrido adversário, prioridade número um no esquema dele. Nas jogadas óbvias de passe, Chancellor geralmente alinha com o TE adversário por sua estatura e força física. Graças a ele, Jimmy Graham foi praticamente anulado nos dois duelos contra os Saints.

Basicamente, o técnico dos Seahawks usa muita disciplina tática, aliada a jogadores talentosos e uma dose de criatividade. O time abre os jogos na marcação homem a homem, aproveitando o talento de sua secundária fora do comum.  Depois que constrói a vantagem, o time varia a cobertura com criativas e complexas marcações por zona. Outra marca registrada desse grupo é a forte pressão exercida nos wide receivers na linha de scrimmage.

Quem é ele 
Peter Clay Carroll nasceu em San Francisco e atualmente tem 62 anos. É o segundo técnico mais velho em atividade na NFL, não que isso influencie na intensidade e no prazer que ele demonstra ao comandar seu time fora de campo. Começou a carreira como técnico principal em 1994 no New York Jets, onde já tinha passado os últimos três anos como coordenador defensivo. Após um início de 6-5, os Jets perderam as últimas cinco partidas consecutivas, o suficiente para Carroll perder o emprego. Curioso ele voltar 20 anos depois para disputar um Super Bowl na mesma cidade que o demitiu.

Voltou ao cargo de coordenador defensivo no San Francisco 49ers, onde permaneceu por duas temporadas. Em 1997 veio a segunda oportunidade de ser técnico principal na carreira, no New Enland Patriots.  Ele começou bem em Foxborouh, venceu a AFC East daquele ano e bateu os Dolphins de Dan Marino no duelo de Wild Card. Desempenho que não se repetiu nos próximos dois anos, ele foi demitido após terminar em último em sua divisão em 1998 e 1999.

Sem propostas para continuar como treinador principal na NFL, Carroll assumiu o comando do time da Universidade de Southern Califórnia, onde construiu uma dinastia entre 2001 e 2009: dois campeonatos nacionais, um recorde de 97-19, disputou BCS Bowls por sete anos consecutivos e venceu seis. Currículo que garantiu seu retorno a liga em 2010, no Seattle Seahawks.  

Jornalista de Jundiaí e apaixonado pela NFL,  
Matheus Filippi é editor do @NFLBrasil.
    

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